Descobrimento do Brasil | descubragostoso.com.br

Onde o Brasil foi descoberto?

Porto Seguro, na Bahia, em 22 de abril de 1500.
Mas você está certo disso? Entenda uma nova tese do descobrimento, na qual a Praia do Marco é o ponto de chegada dos Portugueses em 1500

Em matéria de descobrimento do Brasil, tudo é possível. Não existe nenhuma versão que se possa considerar definitiva. É muito provável que o primeiro contato dos portugueses com o Brasil não tenha sido mesmo na região da Bahia e sim mais ao norte do país. Colombo havia chegado já em 1492, na ocasião do descobrimento da América, na região da América Central, o que reforça a tese que tanto os ventos como as correntes marítimas encaminhavam as embarcações – as caravelas – para aquela região do continente. O padrão de pedra também é forte indício de que tenha sido ali naquele local que os portugueses chegaram primeiro, pelo menos esse era o procedimento que eles faziam nas possessões africanas.

Todos os navegadores que vieram para a América estavam na verdade em busca de um único objetivo: transpor o continente americano que era imprestável para o comércio e encontrar uma passagem para o oriente. O próprio Colombo fez várias viagens na esperança de encontrar tal transposição. A primeira em 1492, a segunda em 1493, a terceira em 1498 e a quarta em 1502. É Vasco Nunes Balboa que vai, em uma excursão por terra pela América Central, em 1513, confirmar a desconfiança de Colombo ao descobrir a existência de um mar a que chamou mar del sul: era o oceano pacífico.

Essa descoberta de Balboa é fundamental. Desde a Idade Média, havia a crença de que se podia chegar no oriente navegando em direção ao poente. A descoberta de Balboa – de outro oceano do outro lado daquele continente descoberto por Colombo – era a certeza, a confirmação de que aqueles que preconizavam esse caminho em direção ao oriente estavam certos. Faltava agora encontrar uma forma de contornar o continente ou encontrar – em meio ao continente uma passagem para o outro oceano, uma ligação entre o oceano atlântico e pacífico. Só em 1914 com a construção do Canal do Panamá, se resolveria o dilema para o qual Colombo e outros navegadores espanhóis procuraram uma resposta por décadas.

Sou navegadora oceânica, conheço a dificuldade. Toda a condição de vento no Atlântico é favorável à chegada das embarcações de Cabral aqui. Depois de Cabo Verde, em 8 graus latitude Norte, você tem área de calmaria. Em seguida, o navegador encontra os ventos alísios e a corrente que cruza Fernando de Noronha, que o jogam violentamente para a costa do Rio Grande do Norte

Rosana Mazaro

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

 
A tese também defende que o monte descrito por Pero Vaz Caminha não seria o Monte Pascoal, na Bahia.

— Temos aqui o Pico do Cabugi, que é um vulcão extinto. É visível do mar.
A outra questão é a presença de aguada, descrito na Carta de Caminha.

O litoral potiguar é repleto de lagoas de água doce, que não é característica de Porto Seguro — diz ela.
Os defensores da tese se apegam ainda ao mais antigo marco do Brasil, fincado em 1501, na Praia do Marco, em Touros, a 128 quilômetros de Natal.

— No mapa português, consta que eles navegaram duas mil léguas ao Sul do país para colocar o segundo marco. A distância é a mesma do Rio Grande do Norte a São Paulo. Se o primeiro marco estivesse em Porto Seguro, na Bahia, o segundo marco teria de ser colocado onde hoje é a Argentina — compara Rosana Mazaro, que defende que novas pesquisas por documentos sejam realizadas em Portugal para comprovar a versão.

Entre os principais defensores da versão está o historiador potiguar Lenine Pinto, com os livros “Reinvenção do Descobrimento” (1998) e “Ainda a Questão do Descobrimento” (2000). Os argumentos que tentam derrubar a versão oficial apontam principalmente para as correntes marítimas do Atlântico.

Entusiasmado com a notícia de que a transposição do continente da América dava acesso ao oceano pacífico e ao oriente, Fernando de Aragão envia em 8 de outubro de 1515 uma flotilha comandada por Juan Diaz de Sollís para navegar pelo sul do continente americano até encontrar uma passagem ou um estreito que lhe permitisse dobrar a última ponta do continente para acessar o mar descoberto por Balboa e a cobiçada rota para o oriente. A ideia de Sollis e de Fernando de Aragão era, certamente seguir – no continente americano – o mesmo caminho percorrido em 1488 por Bartolomeu Dias na costa do continente Africano, onde havia encontrado a passagem para o oriente por meio do Cabo da Boa Esperança. Se tinha uma passagem lá devia ter também uma cá.

Mas vai ser Fernão de Magalhães que parte da Espanha em 1519 que vai conseguir, enfim, avançando pelo mesmo caminho percorrido por Sollis descobrir uma passagem para o oceano pacífico: o estreito de Magalhães, no extremo sul da América.

1532  – Francisco Pizarro conquistou o império Inca, no Peru, e auferiu com a conquista uma imensidão em ouro, prata e pedras preciosas para a coroa espanhola.

A partir do imenso sucesso da Espanha na prospecção de riqueza na América, Portugal passa a investigar se Peru e Brasil não formavam um território só. Se assim fosse deveria haver também no solo do território brasileiro a mesma riqueza encontrada no Peru. Há entre Salvador e Lima uma coincidência: ambas cidades estão na mesma latitude de doze graus. Não é por acaso que em 1545 quando se descobre as minas de Potosí já imediatamente, em 1549, Portugal resolve levar a sério a exploração do Brasil com a fundação da cidade de Salvador. A mesma latitude era a esperança de que o território fosse tão auspicioso como os territórios das possessões espanholas. Talvez esteja também aqui a construção da ideia de que o Brasil tenha sido descoberto na Bahia, em Porto Seguro.

Fonte O Globo

A verdade dificilmente será provada, mas de qualquer forma a Praia do Marco e Gostoso fazem parte desta parte da história e vale muito a pena conhecer esta linda praia!